Patrimônio de fundos externos dispara após a cobrança do IOF
Euardo Puccioni
SÃO PAULO – Os fundos offshore, localizados fora do Brasil mas que são geridos por bancos e corretoras com atuação no País, apresentaram, no período de um ano, forte crescimento em seu Patrimônio Líquido (PL). Segundo números da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o PL passou de R$ 26,626 bilhões em dezembro de 2008, para R$ 47,990 bilhões em dezembro do ano passado, representando uma elevação de 103,12% no período.
O principal motivo deste crescimento é devido à implementação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) imposta para os investidores estrangeiros.
O imposto tinha como objetivo conter a elevação do real frente ao dólar. Isso acabou fazendo com que os estrangeiros buscassem alternativas para investir em ativos brasileiros sem ter que realizar depósitos no Brasil.
Logo após o anúncio da cobrança, o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Alfredo Moraes, havia afirmado que uma política de acumulação de reservas era mais eficiente para conter a alta do dólar. “IOF não segura o câmbio, só serve para dividir o mercado local do estrangeiro”, disse o especialista na ocasião.
A entidade já previa que os fundos offshore teriam um aumento das operações de ADRs. Segundo o também vice-presidente da Anbima Robert John Van Dijk, os gestores destas carteiras já estão complementando suas necessidades de investimentos com ADRs, quando isso é possível.
A grande maioria dos fundos offshore é registrada em paraísos fiscais, onde existe baixa regulação e nenhum imposto. Este tipo de fundo investe em ativos brasileiros e são negociados no exterior. Bancos brasileiros possuem estes tipos de fundos realizando sua administração através de escritórios localizados nos Estados Unidos ou na Europa.
De acordo com dados da Anbima, existem hoje, registrados na entidade, 88 fundos offshore.
A Anbima divulgou também o boletim referente ao mês de dezembro de 2009 sobre a indústria de fundos de investimento. No mês, a captação total deste mercado foi de R$ 6,3 bilhões. Segundo a entidade, este foi o melhor resultado nos últimos seis anos. No fechamento do ano, a captação dos fundos foi de R$ 87,6 bilhões.
Foram realizados no ano, R$ 1,758 trilhão em aplicações contra R$ 1,697 trilhão em resgates, resultando na maior captação líquida da indústria de fundos de investimento da década.
A movimentação acabou representando 0,5% do Patrimônio Líquido total do mercado doméstico de fundos. O PL da indústria atingiu R$ 1,4 trilhão no ano passado, representando um crescimento de 24,5% se comparado ao ano anterior, com 8.811 fundos.
O principal destaque em captações no mês de dezembro de 2009 ficou com a categoria Previdência, com R$ 3,9 bilhões de captação líquida, correspondendo a 2,7% do Patrimônio Líquido.
Por outro lado, os Fundos de Ações apresentaram a melhor rentabilidade do mercado em dezembro, revertendo as perdas de 2008. No ano, o destaque ficou com os fundos Small Caps, com rentabilidade de 117,7%. No mesmo período, o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), que valorizou 82,7%.
A categoria que mais se destacou em captação líquida no ano foi o Multimercados, alcançando volume financeiro de R$ 35,611 bilhões, representando 13,4% do PL. Em seguida vem o tipo Previdência, com R$ 23,344 bilhões.
“Temos visto um crescimento, principalmente em fundos multimercados. Só estamos vendo dinheiro entrando, não vimos resgates sendo realizados. Agora no fim do ano as pessoas aproveitaram o bônus para aplicar ainda mais”, afirma Ivan Kraiser, diretor da Legan Asset Management.
Kraiser diz que a Asset ainda é nova, com apenas um ano de mercado, porém, o especialista prevê grande crescimento da indústria de fundos “Quando começamos tínhamos apenas R$ 30 milhões sob gestão”, diz ele. Hoje a empresa administra aproximadamente R$ 170 milhões.
“Esperamos uma continuidade de trajetória ascendente. O Investidor está ficando mais sofisticado, o que o torna um investidor de potencial”, acrescenta Kraiser.