G-20 tenta acalmar mercados e dá prioridade a ajustes fiscais

BUDAPESTE – Depois da forte queda registrada nos mercados financeiros no final da semana passada, os presidentes dos bancos centrais e os ministros das Finanças do G-20, grupo dos 20 países mais industrializados do mundo, procuraram tranquilizar as bolsas após a reunião que realizaram na Coreia do Sul.

Os ministros das Finanças do G20 concordaram que ainda existem desafios importantes para lidar com a volatilidade atual dos mercados, mas tentam passar a imagem de que algo será feito para proteger a recuperação econômica mundial e colocar em ordem as contas públicas, mas sem definir quais serão essas ações de controle.

“Os países com sérios desafios fiscais precisam acelerar o ritmo de consolidação. São muito bem-vindos os anúncios recentes de que alguns países vão reduzir seu déficit e reforçar sua estrutura fiscal e suas instituições já em 2010”, disse o G20 em comunicado.

Segundo o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, a reunião do grupo chegou a um acordo de que um esforço sério para reduzir os crescentes déficits é inevitável, desde que, o aumente o consumo, pedido este feito por alguns países do G20, inclusive os Estados Unidos. “Há várias opiniões diferentes”, disse Schaeuble.

Por meio de carta enviada para a reunião, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, pediu que o Japão e “países europeus onde há um superávit comercial”, como a Alemanha, aumentem o consumo interno e colaborem para elevar a demanda mundial. Do contrário o crescimento global pode ser prejudicado.

O governo norte-americano vem pedindo à Alemanha calma ao cortar seu próprio déficit fiscal, que é modesto para os padrões europeus. Mas Geithner, na nota, amenizou a situação. “Tenho a impressão de que eles entendem o quanto é importante para a Alemanha, a Europa e o mundo que a Alemanha continue a crescer”, disse ele.

Ajuste fiscal

Ao final do encontro, no sábado, o grupo informou que está disposto a proteger a economia mundial e mudou de estratégia: trocou o apoio aos pacotes de estímulo econômico por medidas de ajuste fiscal e por reformas para dar maior competitividade às economias.

As bolsas dos Estados Unidos despencaram mais de 3% sexta-feira, e alcançaram seu menor nível em quatro meses. O Índice Dow Jones fechou abaixo dos 10 mil pontos.

Sentindo a instabilidade dos mercados, o encontro do G-20 em Busan, na Coreia do Sul, também avançou na discussão sobre maior regulação e controle sobre o sistema financeiro internacional, embora não tenha havido acordo sobre a criação de um imposto internacional sobre os bancos.

“Estamos entrando em uma segunda fase do debate econômico”, disse o presidente do Banco Central brasileiro, Henrique Meirelles. “Na primeira fase, o G-20 coordenou a implementação de estímulos fiscais e monetários. Agora, na segunda fase, enfrentamos a questão fiscal.”

A questão agora, continuou Meirelles, é como assegurar a consolidação fiscal, ajustando as contas públicas dos países mais endividados de uma maneira crível, convincente aos mercados. O comunicado final do G-20 enfatiza a mudança de foco.

“Os eventos recentes destacam a importância de uma situação fiscal sustentável e a necessidade de nossos países colocarem em prática medidas críveis e que favoreçam o crescimento, para garantir a sustentabilidade fiscal”, afirmaram as autoridades no documento.

A mudança de tom é clara em relação ao último encontro do G-20, em abril. Naquele encontro, os ministros ainda defendiam como prioridade a manutenção dos pacotes de estímulo às economias, que deveriam ser “mantidos até que a recuperação seja conduzida firmemente pela iniciativa privada e se torne mais enraizada”.

A mudança de foco ocorre num momento de séria crise na Europa, com uma forte desconfiança dos investidores quanto à capacidade de vários países de arcarem com o peso da dívida pública. A economia global, diz o comunicado do G-20, está se recuperando mais rapidamente do que o esperado, embora ainda existam grandes desafios pela frente. Segundo previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), o mundo deve crescer 4% este ano.

A nova postura do G-20 enfatiza a necessidade de ajustar as contas públicas e, ao mesmo tempo, promover reformas para favorecer o crescimento econômico.

Por DCI

08/06/2010 00:00:00

MP Editora: Lançamentos

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