BC grego quer restaurar confiança com pacote fiscal
Kerin Hope e David Oakley, Financial Times, de Atenas e Londres
O Banco Central da Grécia defendeu ontem uma rápida implementação do mais recente pacote fiscal do governo, para restaurar a confiança e reduzir o alto custo dos empréstimos tomados para financiar a inchada dívida pública do país. O mercado de títulos gregos caiu, em meio a preocupações crescentes com que a Alemanha não aceitará participar de planos visando oferecer apoio financeiro explícito para tirar Atenas da crise.
“Um esforço prolongado será necessário para romper um círculo vicioso (de aumento do déficit orçamentário e de endividamento público) que vem levando a economia a um declínio”, disse o Banco da Grécia em seu relatório anual sobre política monetária. O banco disse que a economia deverá encolher “cerca de 2%” neste ano, além da contração de 2% em 2009.
“As medidas políticas devem ser implementadas integralmente e sem demora… para restaurar a confiança e produzir um impacto favorável sobre o custo dos empréstimos”, disse o banco.
O prêmio extra – em comparação com a Alemanha – que a Grécia tem de pagar para tomar empréstimos nos mercados de dívida subiu para o nível mais alto desde o fim de fevereiro, ao passo que a rentabilidade dos títulos de dívida pública ateniense, que têm uma relação inversa com os preços, aumentou bastante.
Os rendimentos dos títulos gregos com maturação em dez anos aumentaram para 6,50%, o nível mais alto desde 26 de fevereiro, ao passo que o custo extra para Atenas tomar empréstimos – em comparação com a Alemanha, economia de referência na zona euro -, subiu cerca de 3,5 pontos percentuais. Isso tornou improvável, nos próximos dias, a possibilidade de emissão de novos títulos pela Grécia para ajudar a suprir as necessidades de financiamento da dívida em abril e maio.
Um banqueiro disse que os mercados foram gradualmente perdendo confiança na Grécia. “Isso não é bom porque eles já não têm muito tempo para emitir novas dívidas. Precisam tomar empréstimos nos mercados antes de abril”. A agência encarregada da gestão da dívida pública grega dispõe de um colchão de 7 bilhões de euros (US$ 9,5 bilhões) em fundos. Ela terá de captar cerca de 11 bilhões de euros até o fim de abril para financiar as dívidas vincendas, o déficit orçamentário e uma emissão de títulos do Tesouro de curto prazo.
Preocupações estão se alastrando para o mercado de ações grego, tendo a Bolsa de Valores de Atenas sofrido uma queda de 3% ontem.