UGT espera receber 30% a mais de imposto

João Villaverde

A União Geral dos Trabalhadores (UGT), terceira maior central sindical do país, é a única das entidades sindicais que ainda não definiu apoio às pré-candidaturas presidenciais. Enquanto as outras cinco centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho já definiram apoio à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, a UGT costura com grupos ligados a partidos de oposição, como PPS e DEM – que apoiam a pré-candidatura de José Serra (PSDB) – e PV, que tem Marina Silva como pré-candidata. “Nosso papel não é escolher candidato agora, mas conversar com todos para checar quem melhor se aproxima de nossas demandas”, diz Ricardo Patah, presidente da UGT, para quem o governo de Luiz Inácio Lula da Silva foi o “melhor da história para os trabalhadores”. A central lança livro sobre os 100 anos do sindicalismo no Brasil amanhã, durante seminário que será realizado na Faap, em São Paulo. O livro de 498 páginas será distribuído gratuitamente e teve apoio do BNDES.

“Na minha visão, foram poucas as conquistas das centrais no governo Lula. É preciso ir além”, diz Francisco Pereira, o Chiquinho, presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo e secretário-nacional da UGT. Chiquinho, filiado ao PPS, representa uma categoria de 45 mil trabalhadores, sendo 15 mil sindicalizados. Patah, presidente da UGT, também preside o sindicato dos comerciários de São Paulo, principal categoria da UGT, com 450 mil trabalhadores na base. Ao todo, segundo Patah, são 757 sindicatos reconhecidos pelo governo. São estes sindicatos e as bases que representam que servem ao governo para o cálculo do repasse de 10% do que é arrecadado com o imposto sindical, cobrado de todos os trabalhadores formais.

O aquecimento do mercado de trabalho e a disputa entre as centrais por sindicatos representativos, como mostrou matéria de 13 de abril do Valor, tem ampliado o repasse às centrais. A UGT, dona do terceiro maior orçamento, deve receber 30% mais neste ano, segundo estimativas de Patah. Foram R$ 13 milhões recebidos em 2009 e mais R$ 17 milhões são esperados neste ano. Ao todo, as centrais embolsaram R$ 146,5 milhões desde 2008, quando o repasse do imposto sindical foi aprovado pelo governo.

Por Valor Econômico

19/05/2010 00:00:00

MP Editora: Lançamentos

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