Empresa em paraíso fiscal divide herdeiros do 9 de Julho

Cintia Esteves

As reuniões do Conselho de Administração do Hospital 9 de Julho, tradicional centro médico da capital paulista, tem sido palco de uma briga familiar. Fundado em 1955 por Nagib Ganme, atualmente o hospital é administrado Márcia Ganme, neta de Nagib, e Sérgio Lomelino, um administrador profissional contratado no mercado. O grande ponto de discórdia entre Anis Ganme e Salua Ganme, ambos filhos de Nagib e sócios do hospital é a empresa uruguaia Amosi, criada em 1992 e de propriedade do hospital.
Segundo Salua, esta empresa é utilizada em operações ilegais de remessa de valores. A sócia chegou a convocar uma reunião, realizada na semana passada, para tentar resolver o problema. Ela ameaça processar o hospital e o irmão, para que a administração do hospital feche a empresa.
Segundo a advogada do hospital, Maria Cristina Alves, a Salua acusa “os administradores de fazerem certas coisas que eles não deveriam ter feito”. “O hospital já recebeu a notificação”, diz a advogada. Maria Cristina esclarece que a empresa sempre teve suas contas aprovadas pelo conselho administrativo, e sempre atuou na legalidade.
Modernização
Já há alguns meses, os proprietários do Hospital Nove de Julho vem tentando modernizar a administração do Hospital. O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Roberto Faldini, foi contratado para presidir o Conselho de Administração. “Nossa intenção é atingir um ponto de equilíbrio entre os sócios, para evitar processos”, diz o executivo.
Outra mudança na gestão do hospital ocorreu em dezembro último. À época, o conselheiro Marcos Ribeiro Barbosa, substituído pelo suplente Marco Antonio Viena Pinheiro, deixou seu cargo porque, segundo Faldini, ele passou a responder pelos processos judiciais do hospital. O advogado e conselheiro exonerado, Marcos Ribeiro Barbosa, afirma que pediu demissão do conselho para defender o hospital no processo que Salua Ganme pretende mover. “Eu pedi demissão do conselho do hospital porque não seria compatível ser, ao mesmo tempo, conselheiro e prestador de serviços do centro médico”, diz Barbosa.
Briga de família
O advogado afirmou que o desentendimento é entre Salua e o restante da família, os descendentes de seus irmãos: Antonio Ganme, João Ganme e Anis Ganme. Além de Márcia Ganme, outras sobrinhas de Salua, May Ganme Cividanes e Maria Emília Ganme, além do irmão Anis Ganme, também participam das tomadas de decisões do hospital. “Eu dei carta branca para meus filhos e meu advogado resolverem a situação. O meu irmão é especial, eu ainda falo com ele”, desabafa Salua, sem dar mais detalhes.
Segundo Faldini, Salua Ganme havia solicitado uma reunião na semana passada para tentar chegar a um acordo com os demais acionistas. Mas esta assembléia não resultou em um acordo e a decisão foi adiada para 23 de abril.
“Temos esperança que as partes cheguem a um consenso pois queremos evitar que esse desentendimento alcance a esfera judicial. É importante que este acordo aconteça para que o hospital, que possui parcerias com planos de saúde como Bradesco e Sul América, continue sendo um centro médico competente e respeitado. Vamos fazer de tudo para que esta questão não vá a julgamento”, diz Faldini.
Em relação ao motivo do possível processo que Salua pode mover contra o hospital Faldini diz que são interpretações diferentes que os dois lados têm.
“A interpretação da Saluda Ganme é de que foi prejudicada. Ela acredita que deve ser ressarcida. Ela discorda de atos administrativos feitos pela atual direção do hospital nestes últimos anos”.
De acordo com Faldini, Salua Ganme nunca participou da administração do hospital mas manteve representantes no centro médico durante alguns anos.
História
O libanês Nagib Ganme, fazendeiro e comerciante de Araçatuba, tinha o sonho de formar seus três filhos homens médicos e montar um hospital. O primeiro filho a ser formar em medicina foi Antonio Ganme.
Em 1955 Antonio resolve comprar o hospital Nossa Senhora da Conceição, e recorre ao pai para completar a quantia a ser paga no negócio.
No mesmo ano, Antonio Ganme assumiu a presidência do hospital, batizado de 9 de Julho, devido a localização próxima à avenida de mesmo nome.
Depois de formado os irmãos João e Anis passam a dividir a administração do hospital.
A única irmã e também sócia, Salua Ganme, também passou a integrar a administração anos depois.

Fonte: DCI

Data da Notícia: 05/04/2007 00:00:00

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